Ansiedade na Gestação: Como a Terapia Online Pode Ajudar Futuras Mães

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Livia Barcelos

Livia Barcelos é psicóloga clínica formada pelo UNIAENE (2014), com especialização em Terapia Cognitivo Comportamental pela PUC – Rio Grande do Sul, e mais de 10 anos de experiência em atendimento psicológico presencial e online.​

Ansiedade na gestação é comum e tem tratamento. Veja sintomas, causas e como a terapia online no Espaço Elleve ajuda futuras mães a se sentirem mais seguras.

Sumário

A ansiedade na gestação é comum e pode afetar entre 15% e 20% das gestantes, variando conforme contexto, histórico e rede de apoio. Embora se preocuparse com o bebê e com o parto seja esperado, a ansiedade torna-se um problema quando passa a dominar os pensamentos, prejudica o sono, aumenta a evitação e compromete a rotina. Além disso, níveis altos e persistentes de estresse e ansiedade na gravidez podem se associar a desfechos indesejáveis e ao impacto no desenvolvimento do bebê, o que reforça a importância do cuidado precoce. A terapia online, especialmente com recursos da TCC, oferece estratégias práticas e seguras (respiração, reestruturação de pensamentos, exposição gradual e organização de rotina) sem exigir deslocamento, o que facilita o acesso durante a gravidez.​

A gestação costuma ser descrita como uma fase “mágica”, cheia de expectativa e ternura. Entretanto, para muitas mulheres, esse período também traz medo, insegurança e uma sensação de alerta constante. Em outras palavras, junto com o bebê, nascem perguntas difíceis: “E se acontecer algo?”“Vou dar conta?”“E se eu não for uma boa mãe?”.

Nesse contexto, a ansiedade na gestação pode surgir de forma sutil, parecendo apenas “preocupação normal”. Ainda assim, quando os pensamentos ficam repetitivos, o corpo permanece tenso e o descanso não vem, é sinal de que algo precisa de atenção. Além disso, o sofrimento não precisa ser extremo para merecer cuidado: muitas vezes, agir cedo evita que a ansiedade se torne incapacitante.

Ao longo deste artigo, você vai entender o que é ansiedade gestacional, quais são as causas mais comuns, como diferenciar preocupação normal de transtorno, quais os impactos possíveis no bem-estar materno e como a terapia online pode apoiar você com ferramentas concretas, acolhimento e orientação baseada em evidências.

O que é ansiedade na gestação

Ansiedade na gestação é um conjunto de sintomas emocionais, físicos e comportamentais caracterizado por preocupação excessiva, sensação de ameaça e dificuldade de relaxar, tendo como foco a gravidez, o parto, o bebê e as mudanças de vida. Em geral, envolve pensamentos antecipatórios (“algo ruim vai acontecer”) e sinais corporais como taquicardia, falta de ar, tensão muscular, enjoo e insônia.

Por si só, a ansiedade não é “inimiga”. Na verdade, ela existe para proteger. Contudo, quando o alarme fica ligado o tempo todo, a mente passa a interpretar situações comuns como perigosas, o que aumenta o desgaste e reduz a qualidade de vida.

Além disso, a ansiedade gestacional pode se manifestar de diferentes formas:

  • Preocupação constante com exames e sinais do corpo.
  • Medo intenso do parto (dor, complicações, perda de controle).
  • Medo de não dar conta da maternidade ou de mudanças na relação.
  • Hipervigilância com alimentação, movimentos do bebê e sintomas.
  • Evitação (evitar consultas, leituras, conversas ou até o enxoval por medo).

Ansiedade na gestação: prevalência e por que é tão comum

A ansiedade durante a gestação é mais frequente do que muitas pessoas imaginam. Um material de boas práticas em saúde mental perinatal da Fiocruz indica prevalência de ansiedade em torno de 16% no período perinatal. Além disso, uma meta-análise ampla estimou que cerca de 20,7% das mulheres atendem critérios para ao menos um transtorno de ansiedade durante a gestação e/ou pós-parto, reforçando que “1 em cada 5” pode vivenciar níveis clinicamente relevantes. O próprio plano estratégico do Espaço Elleve trabalha a referência de 15–20% como faixa de prevalência prática para comunicação e educação em saúde.

Essa frequência faz sentido quando olhamos para a realidade: a gestação é um período de mudanças hormonais, alterações corporais, redefinição de papéis e aumento de responsabilidade. Consequentemente, o cérebro tende a ficar mais atento a riscos, especialmente quando há histórico de ansiedade, experiências traumáticas anteriores, medo de perda gestacional, dificuldades financeiras ou falta de rede de apoio.

Preocupação normal vs. ansiedade que precisa de cuidado

É normal se preocupar com o bebê. Ter medo do parto. E pensar no futuro. O ponto, portanto, não é “não sentir ansiedade”, e sim observar quando ela cruza a linha e começa a controlar a sua vida.

Sinais de que pode ter passado do esperado

Considere buscar ajuda profissional se, além das preocupações, você percebe:

  • Pensamentos intrusivos frequentes (“vou perder o bebê”, “vou morrer no parto”) que você não consegue desligar.
  • Evitação de atividades importantes (consultas, exames, conversar sobre o parto, sair de casa).
  • Compulsão por checagem (pesquisar sintomas por horas, pedir confirmação constante, checar batimentos/movimentos repetidamente).
  • Insônia persistente, mesmo quando o corpo está cansado.
  • Crises de ansiedade, falta de ar, palpitações ou sensação de desmaio.
  • Irritabilidade constante e sensação de estar “no limite”.
  • Dificuldade de sentir prazer ou conexão com a gestação.

Nesse sentido, a regra prática é: se está afetando a rotina, o vínculo com pessoas importantes, o sono e a capacidade de viver o presente, já vale cuidar.

Causas comuns da ansiedade gestacional

A ansiedade na gravidez não acontece “do nada”. Em geral, ela é resultado de uma combinação de fatores psicológicos, sociais e biológicos. A seguir, alguns gatilhos frequentes:

  • Mudanças hormonais e corporais, que aumentam sensibilidade emocional e desconforto físico.
  • História de ansiedade, depressão ou trauma; nesse caso, a gestação pode reativar medos antigos.
  • Gravidez de alto risco, internações, perdas gestacionais anteriores ou infertilidade.
  • Falta de rede de apoio, solidão e conflitos familiares.
  • Medo do parto e da dor; ou medo de cesárea, de procedimentos e de hospital.
  • Pressão social (maternidade idealizada, cobranças sobre “ser grata” e “ser forte”).
  • Insegurança financeira e medo de mudanças na carreira.
  • Relações conjugais fragilizadas, falta de participação do parceiro(a) e comunicação ruim.

Além disso, há mulheres que lidam com um tipo específico: a ansiedade focada na saúde (“algo está errado comigo ou com o bebê”) e a ansiedade por responsabilidade (“se eu relaxar, eu falho”). Em terapia, essas duas dimensões costumam aparecer com muita força.

Impacto da ansiedade no bebê: o que se sabe (sem alarmismo)

Falar sobre impacto no bebê exige equilíbrio. Afinal, a intenção não é criar mais medo, e sim oferecer informação para cuidado.

Pesquisas apontam que níveis elevados e persistentes de estresse e ansiedade na gestação podem se associar a mudanças no desenvolvimento fetal e a possíveis repercussões no neurodesenvolvimento, como alterações em conexões cerebrais envolvidas com cognição e regulação emocional. Além disso, fontes que discutem a literatura sobre estresse pré-natal relatam associação entre ansiedade materna elevada e maior probabilidade de problemas emocionais e comportamentais na infância, ainda que esses efeitos sejam complexos e influenciados por muitos fatores (apoio, ambiente, cuidados pós-natais).

Ao mesmo tempo, é fundamental lembrar: risco não é destino. O cuidado psicológico durante a gestação é uma forma de prevenção e proteção. Em outras palavras, quando a mãe aprende a regular a ansiedade, ela não apenas melhora sua qualidade de vida, como também constrói um ambiente mais seguro para o bebê.

Como a TCC ajuda na ansiedade durante a gestação

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é uma abordagem baseada em evidências para transtornos de ansiedade. Ela trabalha a relação entre pensamentos, emoções, corpo e comportamentos, oferecendo ferramentas práticas para reduzir a evitação e aumentar a sensação de segurança.

Embora cada caso seja único, algumas frentes são especialmente úteis na gravidez:

1) Identificação de pensamentos automáticos

A ansiedade costuma produzir pensamentos rápidos e absolutos: “vai dar errado”, “eu não vou aguentar”, “ninguém vai me ajudar”. Na TCC, você aprende a perceber esses pensamentos, nomeá-los e entender como eles alteram o corpo.

2) Reestruturação cognitiva (sem “positividade tóxica”)

Reestruturar não significa “forçar otimismo”. Significa testar a realidade e construir pensamentos mais equilibrados. Por exemplo:

  • “Eu não vou dar conta” pode virar “Eu vou precisar de apoio, e posso aprender passo a passo”.
  • “Se eu sentir dor, vou entrar em pânico” pode virar “Eu posso sentir medo e, ainda assim, usar técnicas para me regular”.

3) Técnicas de respiração e relaxamento

Respiração diafragmática, relaxamento muscular e outras técnicas são frequentemente usadas em TCC para ansiedade. O Conselho Federal de Psicologia, ao divulgar conteúdos e formações sobre técnicas cognitivo-comportamentais, lista recursos como relaxamento e respiração entre as ferramentas aplicadas em transtornos de ansiedade. Na gestação, essas técnicas são valiosas porque ajudam a reduzir sintomas físicos e a recuperar a sensação de controle.

4) Exposição gradual

Quando o medo faz você evitar (consultas, falar sobre parto, planejar), o alívio é imediato, mas o medo cresce depois. A exposição gradual ajuda a retomar atividades de forma segura, em passos pequenos e consistentes, reduzindo o poder da ansiedade ao longo do tempo.

5) Planejamento de rotina e prevenção de sobrecarga

A ansiedade também aumenta quando há falta de previsibilidade. Por isso, a TCC trabalha organização de rotina, limites, comunicação e redução de autoexigência.

Como a terapia online pode ajudar futuras mães

A terapia online é especialmente útil na gestação porque remove barreiras práticas e emocionais: deslocamento, enjoo, cansaço, dor lombar, falta de tempo e insegurança para sair de casa.

Além disso, a terapia online permite:

  • Continuidade do cuidado mesmo em repouso, viagens ou gestação de alto risco.
  • Flexibilidade de horários para conciliar consultas pré-natais, trabalho e descanso.
  • Atendimento no ambiente em que a ansiedade acontece, o que facilita exercícios práticos entre sessões.
  • Acesso para mulheres no Brasil e para brasileiras no exterior, com contexto cultural compartilhado.

Em conteúdos sobre terapia online, é comum destacar benefícios como conforto, praticidade e redução de barreiras de acesso, o que também se aplica diretamente ao período gestacional. No planejamento do Espaço Elleve, essa vantagem é um dos pilares do artigo, pois gestantes frequentemente precisam de suporte sem a sobrecarga de deslocamentos.​​

Um plano prático de 7 dias para reduzir a ansiedade na gestação

A seguir, um roteiro simples e realista. Ele não substitui terapia, mas ajuda a iniciar um movimento de regulação e autocuidado.

  1. Escolha um “horário de preocupação”.

    Defina 15 minutos por dia para anotar preocupações. Fora desse horário, quando a preocupação surgir, diga mentalmente: “eu volto nisso no meu horário”.

  2. Faça 3 ciclos de respiração lenta (manhã e noite).

    Inspire pelo nariz contando 4, segure 2, expire contando 6. Repita 3 vezes. Isso sinaliza segurança para o corpo.

  3. Anote 1 pensamento ansioso por dia e responda com uma pergunta.

    Pergunte: “Qual é a evidência real disso?” e “O que eu diria a uma amiga grávida pensando assim?”.

  4. Escolha uma ação pequena de enfrentamento.

    Exemplo: ler um texto curto sobre parto (5 minutos), separar uma pasta com documentos, marcar uma consulta, montar uma lista simples de itens do bebê.

  5. Reduza checagens.

    Se você pesquisa sintomas por horas, combine consigo: “vou pesquisar 1 vez por dia, por no máximo 10 minutos, e em fonte confiável”.

  6. Aumente suporte.

    Envie uma mensagem para alguém: “Estou mais ansiosa na gravidez, você pode estar por perto?”. Se possível, compartilhe uma necessidade concreta.

  7. Faça um fechamento do dia com gentileza.

    Antes de dormir, escreva: “Hoje eu fiz o melhor possível com o corpo e a mente que eu tinha”.

Quando buscar ajuda com urgência

Procure ajuda profissional o quanto antes se você estiver com:

  • Crises de pânico frequentes.
  • Insônia severa por vários dias.
  • Pensamentos intrusivos de autoagressão.
  • Medo intenso de sair de casa ou de fazer o pré-natal.
  • Perda significativa de apetite ou incapacidade de funcionar.

Se houver risco imediato, procure o serviço de emergência local.

FAQ – Ansiedade na gestação

Ansiedade na gestação é normal?

Até certo ponto, sim. Porém, quando se torna constante e prejudica sono, rotina e bem-estar, é importante cuidar.

Terapia online funciona mesmo?

Funciona, especialmente quando há estrutura, vínculo e continuidade. Além disso, para gestantes, a praticidade pode aumentar adesão ao tratamento.​

Vou prejudicar meu bebê se eu estiver ansiosa?

Ansiedade intensa e persistente merece cuidado, mas não é motivo para culpa. O que protege é buscar apoio, aprender regulação e fortalecer a rede de suporte.

Quais técnicas ajudam rápido?

Respiração lenta, reestruturação de pensamentos e redução de evitação costumam trazer alívio inicial. Ainda assim, a consolidação vem com prática e acompanhamento.

Conclusão ansiedade na gestação

A ansiedade na gestação é comum e, por isso mesmo, merece ser levada a sério: quando o medo passa a organizar sua rotina, rouba o sono e reduz sua presença no dia a dia, buscar ajuda é uma forma de cuidado preventivo com você e com o bebê. Além disso, como níveis elevados e persistentes de estresse e ansiedade na gravidez podem se associar a impactos no desenvolvimento fetal, agir cedo pode fazer diferença — sem alarmismo e, sobretudo, sem culpa.

Nesse caminho, o Espaço Elleve se consolida como referência em psicoterapia online, oferecendo um ambiente seguro e confidencial, com acolhimento e qualidade técnica para que futuras mães aprendam a regular emoções, lidar com pensamentos ansiosos e fortalecer recursos internos durante a gestação. Assim, com um cuidado estruturado — especialmente com ferramentas da TCC aplicadas à realidade da gravidez — você não precisa esperar “chegar ao limite” para se sentir melhor; você pode atravessar esse período com mais clareza, mais apoio e mais confiança no seu processo.

Referencias

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