Depressão Pós-Parto: Sinais, Sintomas e Como a Terapia Cognitivo-Comportamental Pode Ajudar

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Livia Barcelos

Livia Barcelos é psicóloga clínica formada pelo UNIAENE (2014), com especialização em Terapia Cognitivo Comportamental pela PUC – Rio Grande do Sul, e mais de 10 anos de experiência em atendimento psicológico presencial e online.​

Depressão pós-parto não é frescura. Entenda sintomas, fatores de risco e tratamento a depressão pós-parto com TCC e terapia online acolhedora

Sumário

Frequentemente, a maternidade é retratada como um momento de plenitude absoluta, repleta de gratidão e alegria inabalável. Na prática, porém, para milhares de mulheres, a realidade nos primeiros meses é marcada por uma tristeza persistente, falta de energia e sentimentos de culpa esmagadora. Por isso, se você se sente assim, é importante saber que não está sozinha: estudos da Fiocruz indicam que 25% das mães brasileiras apresentam sintomas de depressão pós-parto (DPP) nos primeiros meses após o nascimento do bebê.

Embora seja comum, o transtorno ainda é cercado de silêncio e vergonha. Muitas mulheres, por exemplo, sofrem caladas por acreditarem que a tristeza é sinal de fraqueza ou falta de amor pelo filho. Romper esse silêncio, entretanto, é o primeiro passo para a cura. A depressão pós-parto é uma condição médica tratável e, justamente por isso, buscar ajuda é um ato de responsabilidade e amor — por você e pelo seu bebê.

“Baby Blues” ou Depressão Pós-Parto? Entenda a Diferença

Uma dúvida muito comum é diferenciar a tristeza normal do pós-parto (conhecida como Baby Blues ou Puerperal Blues) de um quadro depressivo clínico. Embora ambos envolvam oscilações de humor, suas causas, durações e gravidades são completamente diferentes e, portanto, exigem cuidados distintos.

No caso do Baby Blues, trata-se de uma alteração de humor leve e passageira que atinge até 80% das puérperas. Em geral, esse estado surge por volta do 3º dia após o parto, devido à queda brusca de hormônios, como estrogênio e progesterona. Os sintomas incluem choro fácil, irritabilidade, sensibilidade emocional aumentada e cansaço. Ainda assim, a mãe consegue cuidar de si e do bebê e, em grande parte dos casos, mantém a funcionalidade básica. A duração costuma ser curta e, em condições usuais, esse quadro desaparece espontaneamente em até 2 ou 3 semanas.

Já a depressão pós-parto é mais intensa, duradoura e incapacitante. Diferentemente do Baby Blues, ela pode surgir logo após o parto ou, em muitos casos, aparecer apenas alguns meses depois, até aproximadamente 1 ano após o nascimento. Nesse cenário, a mãe sente uma tristeza profunda que não passa, desinteresse pelo bebê ou pela vida, além de uma sensação de incapacidade para realizar tarefas simples do dia a dia. Ao contrário do que ocorre no Baby Blues, esse quadro não desaparece sem tratamento profissional. Assim, entender essa diferença é essencial para que a mulher, a família e os profissionais de saúde saibam quando é hora de intervir.

Checklist: 10 Sinais de Alerta que Não Podem Ser Ignorados

De modo geral, os sintomas da depressão pós-parto podem variar em intensidade; no entanto, costumam começar de forma sutil nas primeiras semanas e se intensificar progressivamente. Diante disso, se você (ou alguém próximo) apresenta 3 ou mais destes sintomas por mais de duas semanas, é hora de buscar avaliação profissional com urgência:

  1. Tristeza profunda ou sensação de vazio constante, mesmo quando tudo parece “bem”.
  2. Perda de interesse ou prazer em atividades que antes eram prazerosas (anedonia).
  3. Dificuldade de criar vínculo com o bebê ou sensação de estranhamento e indiferença afetiva.
  4. Alterações extremas no sono: insônia mesmo quando o bebê dorme ou hipersonia (dormir excessivamente).
  5. Alterações significativas no apetite, como perda total de apetite ou fome incontrolável.
  6. Fadiga extrema e falta de energia que não melhora com descanso, mesmo quando há oportunidade de dormir.
  7. Sentimentos intensos de culpa, inutilidade ou incapacidade de cuidar do filho.
  8. Irritabilidade excessiva ou raiva desproporcional, com explosões por motivos pequenos e, depois, remorso.
  9. Dificuldade de concentração e de tomar decisões simples do dia a dia, como escolher uma roupa ou preparar uma refeição.
  10. Pensamentos intrusivos de fazer mal a si mesma ou ao bebê (este é um sinal de emergência e exige ajuda imediata).

Consequentemente, observar esses sinais com atenção é uma forma concreta de proteção tanto para a mãe quanto para o bebê.

Fatores de Risco: Quem Está Mais Vulnerável?

A depressão pós-parto não tem uma causa única. Em vez disso, ela resulta de uma combinação complexa de fatores biológicos, psicológicos e sociais. Portanto, conhecer os fatores de risco ajuda a identificar mulheres que precisam de acompanhamento mais próximo desde a gestação.

Fatores de risco mais prevalentes

Entre os fatores de risco mais comuns, diversos estudos apontam:

  • História prévia de depressão ou outros transtornos psiquiátricos, o que aumenta o risco em até 50%.
  • Depressão ou ansiedade durante a gestação, que já indicam uma vulnerabilidade emocional prévia.
  • Falta de apoio social e familiar, com isolamento e ausência do parceiro ou de rede de suporte.
  • Gravidez não planejada ou não desejada, que pode gerar ambivalência e conflito interno em relação ao papel de mãe.
  • Relacionamento conjugal conflituoso ou presença de violência doméstica, que agravam o estresse e o medo.
  • Baixa escolaridade e baixa renda familiar, com maior exposição a estressores cotidianos e menos acesso a recursos de saúde.
  • Eventos estressantes adicionais, como morte de familiar, perda de emprego ou mudanças bruscas de cidade ou país.
  • Multiparidade, isto é, mães de vários filhos que acumulam ainda mais sobrecarga física e emocional.
  • Complicações no parto ou problemas de saúde do bebê, que aumentam a preocupação, a culpa e a sensação de impotência.

Assim, ter fatores de risco não significa que a mulher vai, necessariamente, desenvolver DPP; por outro lado, esses elementos sinalizam a necessidade de acompanhamento preventivo mais cuidadoso e, muitas vezes, de um pré-natal psicológico.

Como a TCC Trata a Depressão Pós-Parto com Eficácia Comprovada

A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é amplamente reconhecida como abordagem de primeira escolha para tratar a DPP, apresentando eficácia comprovada na redução de sintomas e na prevenção de recaídas. No Espaço Elleve, os protocolos utilizados focam em três pilares principais, que se complementam e se fortalecem mutuamente.

1. Reestruturação Cognitiva: mudando o “óculos” da mente

Primeiramente, é importante entender que a depressão distorce a forma como a mãe vê a realidade e a si mesma. Pensamentos automáticos como “eu sou uma péssima mãe”, “meu filho estaria melhor sem mim” ou “nunca vou dar conta” são comuns e extremamente destrutivos. Na terapia, trabalhamos para identificar essas distorções cognitivas — por exemplo, pensamento catastrófico, leitura mental e generalização — e substituí-las por pensamentos mais realistas e compassivos. Não se trata de “pensar positivo” de forma ingênua, mas, sim, de pensar com clareza, com base em evidências concretas da própria vida.

2. Ativação Comportamental: quebrando o ciclo da inércia

Em segundo lugar, precisamos olhar para o comportamento. A depressão costuma gerar um ciclo vicioso de inércia: estou triste, então não faço nada; não faço nada, logo me sinto mais inútil; sinto-me mais inútil e, portanto, fico ainda mais triste. A TCC rompe esse ciclo por meio da ativação comportamental. Em conjunto com a paciente, estabelecemos pequenas metas diárias realizáveis — como tomar um banho mais demorado, dar uma volta no quarteirão, ligar para uma amiga ou preparar uma refeição simples. Com isso, a ação precede a motivação, e não o contrário. Ao realizar essas pequenas tarefas, o cérebro volta a processar recompensas, e a sensação de competência retorna gradualmente.

3. Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT): um diferencial necessário

Por fim, além da TCC clássica, integramos técnicas da Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Enquanto a TCC trabalha de forma mais direta a mudança do pensamento, a ACT ensina a aceitar as emoções difíceis sem travar uma guerra contra elas. A maternidade traz uma forte ambivalência: amor e cansaço, gratidão e luto pela vida antiga, alegria e medo. A ACT ajuda a mãe a compreender que sentir raiva, exaustão ou vontade de estar só não a define como pessoa ou como mãe. Dessa forma, ela aprende a agir de acordo com seus valores de cuidado, proteção e presença, mesmo em dias muito difíceis. Assim, TCC e ACT, quando combinadas, oferecem um conjunto robusto de ferramentas para atravessar a DPP com mais segurança e suporte.

5. A Importância Vital da Rede de Apoio e do Parceiro

Ninguém cuida de um bebê sozinho. O provérbio “é preciso uma aldeia para criar uma criança” nunca foi tão verdadeiro. Diversos estudos mostram que o isolamento social é um dos maiores fatores de risco para a DPP. Por isso, pensar na rede de apoio não é luxo; é estratégia de proteção.

O papel do parceiro(a) é especialmente crucial nesse contexto. Pesquisas recentes indicam que casais com comunicação aberta e divisão equilibrada de responsabilidades enfrentam menos problemas emocionais. Desse modo, o envolvimento ativo do parceiro pode reduzir significativamente a incidência de depressão pós-parto e, ao mesmo tempo, aliviar a sobrecarga materna.

O que o parceiro pode fazer na prática

Na vida real, apoio não se resume a frases de incentivo. Ele também se expressa em ações concretas e diárias, como:

  • Dividir as tarefas domésticas e os cuidados com o bebê: trocar fraldas, dar banho, fazer o bebê dormir, preparar refeições e organizar a casa.
  • Incentivar a mãe a descansar, assumindo o bebê em alguns períodos para que ela possa dormir ou ter momentos mínimos para si.
  • Ouvir sem julgar quando ela expressar cansaço, tristeza ou ambivalência, evitando frases como “mas você queria tanto esse bebê”.
  • Validar os sentimentos da mãe, mesmo quando não compreende totalmente: “Eu vejo que você está sofrendo e estou aqui com você”.
  • Acompanhá-la a consultas médicas e terapêuticas, demonstrando apoio ativo e presença emocional.

Consequentemente, a terapia não acontece apenas na sessão. Parte importante do tratamento envolve mapear e ativar a rede de apoio da mãe. Isso significa aprender a pedir ajuda prática — alguém para lavar a louça, segurar o bebê para a mãe dormir ou levar uma refeição pronta — sem culpa e sem o peso da comparação com uma “mãe que dá conta de tudo sozinha”.

Como Fazer: Passos Práticos para Lidar com a Depressão Pós-Parto

Se você identificou os sintomas em si mesma ou em alguém próximo, veja, a seguir, passos concretos e imediatos que podem ser tomados na prática.

Passo 1: Reconheça e valide o que você está sentindo

O primeiro e mais importante passo é nomear o que está acontecendo. Em vez de minimizar com frases como “é só cansaço” ou “vai passar”, diga para si mesma (ou para a pessoa): “eu estou com sintomas de depressão pós-parto e preciso de ajuda”. Esse reconhecimento tira o peso da culpa individual e coloca o foco onde ele deve estar: na necessidade real de cuidado.

Passo 2: Procure avaliação profissional imediatamente

Em seguida, marque uma consulta com profissionais de saúde de confiança, como:

  • Psicólogo(a) especializado(a) em psicologia perinatal, ideal para iniciar o tratamento psicoterápico.
  • Psiquiatra, especialmente se houver necessidade de medicação; muitos antidepressivos são compatíveis com a amamentação.
  • Ginecologista, obstetra ou médico de família, que podem avaliar o quadro geral e encaminhar para a rede de saúde mental.

No SUS, a Lei nº 14.721/2023 garante assistência psicológica a gestantes e puérperas. Portanto, procure a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima e informe claramente o que está sentindo, citando inclusive a possibilidade de depressão pós-parto.

Passo 3: Comunique-se com seu parceiro e rede de apoio

Não espere que as pessoas “adivinhem” que você precisa de ajuda. Seja específica nas suas necessidades. Por exemplo:

  • “Preciso que você cuide do bebê das 14h às 16h para eu dormir.”
  • “Você pode fazer o jantar hoje? Estou esgotada.”
  • “Preciso conversar sobre como estou me sentindo. Pode me ouvir por alguns minutos, sem tentar resolver tudo?”

Essa comunicação direta evita frustrações e, ao mesmo tempo, aumenta as chances de você receber o apoio de que realmente necessita.

Passo 4: Estabeleça pequenas metas diárias (ativação comportamental)

Não tente “voltar ao normal” de uma vez. Em vez disso, comece com micro-ações possíveis dentro da sua realidade:

  • Tomar banho e trocar de roupa uma vez ao dia, mesmo que o resto da rotina pareça caótico.
  • Sair para tomar sol por 10 minutos, mesmo que seja na varanda ou na calçada em frente de casa.
  • Comer uma refeição completa, sentada, com um pouco mais de atenção a si mesma.
  • Ligar ou mandar mensagem para uma amiga de confiança, falando como você realmente está.

Anote essas pequenas conquistas. Elas são evidências concretas de que você está cuidando de si, mesmo nos dias difíceis. Isso diminui a crença de que “não estou fazendo nada” e fortalece, gradualmente, a autoestima e o senso de capacidade.

Passo 5: Proteja o seu sono

A privação de sono agrava dramaticamente os sintomas depressivos e aumenta a irritabilidade. Assim, negocie com o parceiro turnos de sono e, se possível, envolva outros membros da família. Por exemplo: ele cuida do bebê das 22h às 2h, e você assume das 2h às 6h. Dessa forma, ambos conseguem algumas horas de sono ininterrupto, o que é essencial para a regulação emocional e para o funcionamento cognitivo básico.

Passo 6: Evite o isolamento social

Mesmo que não tenha vontade, force-se gentilmente a manter algum contato humano. Isso pode incluir:

  • uma videochamada rápida com um familiar em quem você confia;
  • a visita breve de uma amiga próxima;
  • a participação em grupos de apoio para mães, presenciais ou online, que compartilham experiências semelhantes.

Essa conexão reduz a sensação de estar “sozinha no mundo” e oferece espaço para compartilhar experiências com quem vive algo parecido.

Passo 7: Limite a exposição às redes sociais

Se os feeds de Instagram com “mães perfeitas” estão piorando sua sensação de inadequação, considere fazer um detox digital temporário. Silencie perfis que despertam comparação, limite o uso a poucos minutos por dia e priorize conteúdos que falem de maternidade real, com vulnerabilidade, contexto e informação baseada em evidências.

7. Quando e Onde Buscar Ajuda Profissional?

A demanda por cuidados de saúde mental tem crescido exponencialmente. Dados recentes mostram um aumento expressivo nas consultas psiquiátricas e psicológicas no Brasil, o que reflete maior conscientização e também a necessidade urgente de cuidado.

Se você identificou 3 ou mais sintomas descritos neste artigo, não espere que “passe sozinho”. A intervenção precoce encurta o tempo de sofrimento, protege o vínculo mãe-bebê e reduz o risco de cronificação do quadro e de recaídas futuras.

A terapia online funciona para mães com DPP?

Sim. Para mulheres no puerpério, sair de casa pode ser logisticamente muito difícil: o bebê precisa de atenção constante, o corpo ainda está em recuperação e, muitas vezes, não há com quem deixar a criança. A terapia online elimina essas barreiras, permitindo que você seja atendida no conforto do seu lar, durante a soneca do bebê ou em intervalos possíveis, com a mesma eficácia clínica da modalidade presencial. Isso torna o cuidado mais acessível, mais realista e mais adaptado à rotina materna.

Perguntas Frequentes (FAQ) – Depressão pós-parto

A depressão pós-parto afeta o desenvolvimento do bebê?

Se não tratada, pode afetar o vínculo mãe-bebê e o desenvolvimento emocional, social e cognitivo da criança a longo prazo. Por isso, cuidar da saúde mental materna é também uma forma direta e poderosa de cuidar do desenvolvimento do filho. Em contrapartida, mães tratadas recuperam totalmente a capacidade de vínculo e cuidado.

É preciso tomar remédio ou a terapia sozinha resolve?

Depende da gravidade. Em casos leves e moderados, a psicoterapia (TCC/ACT) pode ser suficiente para a recuperação. Em quadros mais graves, pode ser necessário o uso de antidepressivos prescritos por um psiquiatra, sendo que muitos são compatíveis com a amamentação. A decisão deve ser sempre individualizada e discutida com o profissional de saúde.

O pai também pode ter depressão pós-parto?

Sim. Estudos indicam que cerca de 10% dos parceiros desenvolvem depressão no pós-parto, especialmente devido à mudança drástica de rotina, preocupação financeira, histórico prévio de transtornos mentais e privação de sono. Nesses casos, o tratamento psicológico também é indicado para eles, pois o bem-estar do parceiro influencia diretamente o ambiente familiar.

Quanto tempo dura a depressão pós-parto?

Sem tratamento, a DPP pode durar vários meses ou até anos, impactando seriamente a qualidade de vida da mãe e da família como um todo. Com tratamento adequado, contudo, a maioria das mulheres apresenta melhora significativa em 8 a 12 semanas, com redução importante de sintomas e recuperação da funcionalidade.

Conclusão

Em síntese, a depressão pós-parto não é culpa sua, não é “frescura” e não define quem você é como mãe. Ela é apenas uma condição médica temporária, uma espécie de névoa que encobre, por algum tempo, sua capacidade de ver as cores da vida. Com o tratamento adequado — que inclui psicoterapia, apoio da rede e, quando necessário, medicação —, essa névoa se dissipa completamente.

Portanto, permita-se ser cuidada para que você possa cuidar. A maternidade não precisa ser um fardo solitário. Com suporte, informação e acolhimento, é possível atravessar esse período difícil e reconstruir uma relação mais leve consigo mesma, com seu bebê e com a sua história. No Espaço Elleve estamos preparados para te acolher com muito carinho e te oportunizar viver as alegrias da maternidade.

Referências para depressão pós-parto

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