Identidade na Maternidade: Matrescence, Luto e Como a ACT Pode Ajudar

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Livia Barcelos

Livia Barcelos é psicóloga clínica formada pelo UNIAENE (2014), com especialização em Terapia Cognitivo Comportamental pela PUC – Rio Grande do Sul, e mais de 10 anos de experiência em atendimento psicológico presencial e online.​

Identidade na maternidade: entenda a matrescence, o luto de quem você era antes e como TCC, ACT e psicoterapia online ajudam a integrar a mulher e a mãe que coexistem em você.

Sumário

A identidade na maternidade não apaga quem você era — ela convoca uma reorganização profunda de identidade. Esse processo tem nome: matrescence. Ele pode trazer luto, estranhamento e a sensação de não se reconhecer. TCC, ACT e psicoterapia online ajudam a nomear, elaborar e integrar quem você era com a mulher que está se tornando — sem culpa e sem pressa.

Como ter identidade durante a maternidade

“Quem sou eu além de mãe?” É uma pergunta que surge muitas vezes em silêncio, entre uma mamada e outra, no meio da noite, ou naquele momento em que o bebê dorme e você percebe que já não sabe o que faria com tempo livre. Não é ingratidão. Não é falta de amor. É o sinal de uma transformação identitária profunda que a cultura raramente nomeia com clareza.

Esse processo tem um nome: matrescence. O termo, cunhado pela antropóloga Dana Raphael em 1975 e expandido contemporaneamente pela pesquisadora Aurelie Athan, descreve a transição que acontece quando uma mulher se torna mãe — uma reorganização que atravessa dimensões biológicas, emocionais, relacionais, cognitivas, culturais e existenciais. Em outras palavras, tornar-se mãe não é só ganhar um papel novo. É, também, perder partes de quem você era. E essa perda, quando não é nomeada, pode se transformar em sofrimento silencioso.

Neste Artigo sobre Maternidade e Saúde Mental, você vai entender o que é matrescence, por que ela pode provocar luto, quais sinais indicam que essa transformação está sendo mais difícil do que o esperado, e como TCC, ACT e psicoterapia online oferecem suporte concreto para esse processo. O cuidado oferecido pelo Espaço Elleve respeita a complexidade da experiência materna — sem romantizar nem patologizar.

Panorama rápido: identidade, matrescence e saúde mental

Dado / InsightFonte
O conceito de matrescence foi cunhado por Dana Raphael em 1975 e descreve o processo de tornar-se mãe como uma transição de desenvolvimento comparável à adolescência.Dana Raphael / Aurelie Athan — matrescence.com
Cerca de 80% das novas mães relatam experiências subjetivas de declínio cognitivo e sensação de perda de si mesmas na transição para a maternidade.PMC / Sciencedirect — Orchard et al., 2023
A matrescence abrange dimensões biológicas, neurológicas, psicológicas, sociais, culturais, econômicas e existenciais.Aurelie Athan — matrescence.com
A ACT é indicada para elaboração de processos de luto e reorganização identitária, promovendo flexibilidade psicológica e ações orientadas por valores.Comportese / Scribd — Protocolo ACT e Luto
A TCC aplicada ao contexto perinatal reduz sofrimento emocional, autocrítica e pensamentos de fracasso materno.CRP-PR — Cadernos de Psicologia / Pepsic

Para aprofundar, vale ler o artigo do Elleve sobre saúde mental materna e depressão pós-parto e sobre psicoterapia perinatal online.

O que é matrescence?

Matrescence é o processo de tornar-se mãe — uma transição de desenvolvimento que reorganiza identidade, cérebro, corpo, relações e valores de forma profunda e duradoura. O termo foi criado em analogia à adolescência: assim como a adolescente não é a mesma pessoa ao entrar e ao sair daquele período, a mulher que se torna mãe passa por uma reorganização que, em sua profundidade, não é reversível nem deveria ser.

A pesquisadora Aurelie Athan expandiu o conceito de Raphael para incluir múltiplas dimensões: a matrescence é biológica (mudanças hormonais e neurais que persistem anos após o parto), neurológica (reorganização cerebral estrutural e funcional), psicológica (ressignificação da identidade, valores e crenças), social (redefinição de papéis e relações), cultural (confronto com expectativas sociais sobre “como se deve ser mãe”) e existencial (reorganização de sentido, propósito e lugar no mundo).

O problema é que a cultura moderna raramente prepara a mulher para essa transformação. A gravidez é amplamente acompanhada, o parto recebe atenção e planejamento, mas a reorganização identitária que vem depois — e que pode durar anos — recebe pouco espaço de reconhecimento. Consequentemente, muitas mulheres vivem a matrescence sem nome, acreditando que estão erradas, que algo falhou, que deveriam estar bem quando não estão.

O luto que a maternidade traz

Um dos aspectos menos discutidos da maternidade é o luto. Não o luto de alguém que morreu, mas o luto de uma versão de si mesma que não volta. A mulher que você era antes da maternidade — com seus hábitos, ritmos, relações, identidade profissional, liberdade e espontaneidade — passou por uma transformação que não é provisória.

Esse luto é real. Sentir saudade da vida anterior não significa que você não ama o seu filho. Significa que algo mudou de verdade, e que reconhecer essa mudança é mais saudável do que negá-la. Como a escritora e psicanalista Elisama Santos descreveu: “Quem é essa mulher que eu me tornei? Essa pergunta é mais respeitosa com a sua história do que ‘como eu volto a ser quem eu era?’. Essa mulher morreu. A gente morre para dar espaço para algo novo.”

Quando esse luto não encontra espaço para ser nomeado — porque a cultura exige gratidão irrestrita e felicidade permanente na maternidade — ele tende a aparecer disfarçado: como irritabilidade, como exaustão que não passa, como sensação de vazio ou como culpa constante. Por isso, oferecer escuta psicológica qualificada a esse luto é um ato clínico e ético importante.

“Quem sou eu além de mãe?”: sinais de que a transformação está pesando

Sentir-se diferente depois de se tornar mãe é esperado. O que merece atenção é quando essa diferença se transforma em sofrimento persistente, dificuldade de se reconhecer, perda de contato com desejos e identidade própria, ou sensação de que a mulher foi completamente absorvida pela função materna.

Alguns sinais frequentes que indicam que a crise de identidade na maternidade merece suporte psicológico:

  • Sensação de não se reconhecer — como se a mulher que você era tivesse sumido.
  • Dificuldade de nomear o que gosta, o que deseja ou o que te move fora da maternidade.
  • Choro sem motivo evidente, sensação de vazio ou estranhamento de si mesma.
  • Culpa intensa ao pensar em si mesma fora do papel de mãe.
  • Sentimento de que tudo que você fazia antes perdeu sentido, mas nada novo tomou seu lugar.
  • Irritabilidade frequente com parceiro, família ou colegas, sem conseguir identificar a razão.
  • Sensação de que “deveria estar feliz” mas não está — e não saber por quê.

É importante destacar: esses sinais não configuram necessariamente depressão pós-parto. Podem ser parte da matrescence vivida com intensidade. No entanto, quando eles persistem, se intensificam ou começam a comprometer relações e autocuidado, a psicoterapia pode ajudar a criar espaço para elaborar e integrar essa experiência.

Matrescence x depressão pós-parto: diferenças importantes

AspectoMatrescenceDepressão pós-parto
O que éProcesso natural de transformação identitária que acontece em toda mãeCondição clínica de saúde mental que exige avaliação e tratamento
PresençaUniversal — afeta toda mulher que se torna mãeAcomete cerca de 25% das mães brasileiras
IntensidadeVariada — pode ser suave ou muito intensaModerada a grave, com sofrimento significativo
DuraçãoMeses a anos, com elaboração gradualPersistente, exige intervenção clínica
Relação entre os doisPodem coexistir — matrescence intensa pode precipitar depressãoDiagnóstico clínico distinto, não é apenas “transformação esperada”

Como a ACT trabalha identidade e luto na maternidade

A ACT (Terapia de Aceitação e Compromisso) oferece uma perspectiva especialmente útil para o processo de matrescence, porque não propõe a eliminação do sofrimento, mas uma nova forma de se relacionar com ele. Em vez de lutar contra a saudade de quem você era, ou tentar apagar a sensação de estranhamento, a ACT convida a reconhecer essas experiências como partes naturais de uma transformação profunda.

O primeiro recurso é a aceitação: acolher o luto, a ambivalência, o medo e a saudade sem tratá-los como erros ou falhas morais. Aceitar não significa gostar do sofrimento — significa parar de gastar energia lutando contra algo que já aconteceu, criando espaço para ações mais conscientes e significativas. Na matrescence, isso pode se traduzir em: “estou de luto pela mulher que eu era, e esse luto é legítimo.”

O segundo recurso central da ACT é o trabalho com valores. Quando a mulher reconecta com o que é realmente importante para ela — além de ser mãe — ela pode começar a construir ações alinhadas com essa nova identidade em formação. Isso não significa abandonar a maternidade, mas incluir a si mesma nessa equação. Técnicas de defusão cognitiva ajudam a observar pensamentos como “sou uma mãe egoísta se penso em mim” sem se fundir a eles, criando espaço para escolhas mais gentis e mais honestas. Esse tipo de trabalho está integrado ao cuidado oferecido pelo Espaço Elleve na psicoterapia perinatal online.

Ferramentas da ACT no trabalho com identidade materna

  • Aceitação: reconhecer o luto e a ambivalência sem julgamento como partes legítimas da matrescence.
  • Defusão cognitiva: observar pensamentos de culpa e fracasso materno sem se fundir a eles.
  • Eu como contexto: distinguir “quem eu sou” de “o que eu faço” — a mãe é mais do que sua função.
  • Clarificação de valores: reconectar com o que é importante além da maternidade.
  • Ação comprometida: construir passos concretos alinhados com esses valores, mesmo em meio ao caos do puerpério.
  • Atenção plena: cultivar presença no momento atual, reduzindo ruminação sobre quem você “deveria” ser.

Como a TCC complementa esse cuidado

A TCC complementa o trabalho com identidade na maternidade de forma estruturada e prática. Enquanto a ACT trabalha a relação com o sofrimento e com os valores, a TCC ajuda a identificar e questionar pensamentos automáticos que sustentam culpa, autocrítica e exigências irreais sobre a maternidade.

Frases como “uma boa mãe não sente isso”, “estou sendo egoísta ao pensar em mim”, “deveria estar dando conta de tudo” são pensamentos automáticos disfuncionais que aumentam o sofrimento e dificultam a elaboração da matrescence. Na TCC, esses pensamentos são identificados, questionados com base em evidências reais e substituídos por interpretações mais flexíveis e compassivas.

Além disso, a TCC organiza estratégias comportamentais concretas: como retomar atividades que faziam parte da sua identidade anterior de forma compatível com a nova rotina, como comunicar necessidades ao parceiro e à rede de apoio, como estabelecer limites sustentáveis e como criar espaços mínimos de autocuidado. Pequenas ações consistentes têm grande impacto na percepção de identidade e na saúde mental ao longo do tempo. Para entender como esse trabalho acontece na prática online, leia como funciona a psicoterapia online no Elleve.

Psicoterapia online para identidade e matrescence: por que funciona

Para mães em puerpério ou com bebês pequenos, sair de casa para uma sessão de terapia pode ser logisticamente difícil ou emocionalmente custoso. A psicoterapia online elimina esse obstáculo e permite que o espaço terapêutico aconteça dentro da própria rotina materna — com mais conforto, menos deslocamento e mais possibilidade real de manutenção.

Para brasileiras que moram no exterior, esse recurso é ainda mais significativo. A matrescence em contexto migratório tem uma camada extra de complexidade: a mulher está passando por uma transformação identitária profunda em um ambiente que já exigia adaptação cultural, de idioma e de rede de apoio. Sentir-se estranha a si mesma em um país onde já se sentia estrangeira pode intensificar solidão, ansiedade e sensação de perda. Ter um espaço terapêutico em português, com profissionais que compreendem esse contexto, faz diferença real. O Elleve aprofunda esse cuidado em terapia online para brasileiros no exterior.

No Espaço Elleve, a psicoterapia perinatal online com TCC, Terapia Comportamental e ACT oferece esse acompanhamento de forma especializada, ética e acolhedora — para mães no Brasil e no exterior que querem reencontrar quem são, além de mãe.

Como colocar em prática: passos concretos para integrar identidade e maternidade

A integração entre quem você era e a mãe que está se tornando não acontece por decreto. Ela é um processo gradual, que precisa de permissão interna, apoio e, muitas vezes, acompanhamento profissional. Ainda assim, existem passos possíveis para começar:

1. Nomeie o que está sentindo

Diga o nome do que está vivendo: “estou em luto de quem eu era”, “estou me sentindo perdida na minha identidade”, “não sei mais quem sou além de mãe”. Nomear é o primeiro passo da elaboração.

2. Permita-se sentir saudade sem culpa

Sentir saudade da vida anterior não torna você uma má mãe. É uma resposta humana a uma transformação real. Dar espaço a esse sentimento é mais saudável do que negá-lo.

3. Resgate ao menos uma prática que era sua antes

Identifique algo que fazia parte da sua identidade antes da maternidade — uma atividade, um tempo de leitura, um exercício, um contato com amigos — e tente incluí-lo na rotina de forma mínima e viável.

4. Questione a exigência de perfeição materna

Quando surgir o pensamento “uma boa mãe não pensa assim”, pergunte: de onde vem essa crença? É realista? É justa com você? Questionar não é abandonar valores — é torná-los mais humanos.

Considere psicoterapia especializada

Se a sensação de não se reconhecer persiste, se a culpa é constante ou se o luto está interferindo na sua qualidade de vida, um psicólogo especializado em saúde mental perinatal pode ajudar a organizar esse processo com mais segurança e clareza.

Checklist de cuidado: curto, médio e longo prazo

Curto prazo (0 a 3 meses)

  • Reconhecer a matrescence como processo normal e nomear o que está sentindo.
  • Permitir-se sentir ambivalência e luto sem tratar isso como falha.
  • Identificar ao menos um aspecto da identidade anterior que quer preservar ou resgatar.
  • Buscar informação confiável sobre matrescence, identidade materna e saúde mental perinatal.
  • Considerar avaliação psicológica se o sofrimento for persistente ou intenso.

Médio prazo (3 a 6 meses)

  • Trabalhar pensamentos automáticos de culpa e autocrítica com TCC.
  • Explorar valores pessoais e ações alinhadas com eles na ACT.
  • Retomar gradualmente atividades e conexões que integram a identidade além da maternidade.
  • Melhorar comunicação com parceiro e rede de apoio sobre necessidades pessoais.
  • Mapear o impacto da matrescence nas relações, no trabalho e no autocuidado com suporte profissional.

Longo prazo (6 a 12 meses)

  • Integrar a mulher e a mãe em uma identidade mais ampla e menos dividida.
  • Consolidar práticas de autocuidado compatíveis com a rotina materna real.
  • Fortalecer vínculos afetivos e rede de apoio no Brasil ou no exterior.
  • Reavaliar projetos, desejos e sentido com mais clareza emocional.
  • Manter acompanhamento psicológico em momentos de maior vulnerabilidade identitária.

Tabela-resumo: identidade na maternidade e psicoterapia

O que éImpacto na vidaQuando buscar ajudaComo a psicoterapia ajuda (TCC/ACT/Terapia Comportamental)
Matrescence: transformação profunda e natural da identidade quando uma mulher se torna mãe.Pode gerar luto, estranhamento, culpa, perda de contato com desejos e identidade própria, dificuldade de se reconhecer.Quando o sofrimento é persistente, interfere nas relações, no autocuidado ou na qualidade de vida.ACT oferece aceitação, defusão e trabalho com valores; TCC ajuda a questionar autocrítica e organizar ações concretas de retomada de identidade.

FAQ sobre identidade na maternidade

O que é matrescence?

Matrescence é o processo de transformação identitária que acontece quando uma mulher se torna mãe. O termo foi cunhado pela antropóloga Dana Raphael em 1975 e engloba mudanças biológicas, neurológicas, psicológicas, sociais e existenciais. Não é uma condição patológica — é um processo natural, mas que pode ser intensamente difícil quando não encontra espaço de reconhecimento e elaboração.

“Quem sou eu além de mãe?” é sinal de algo errado?

Não. É um sinal de que a transformação identitária da maternidade está em curso. Sentir-se diferente, não se reconhecer ou sentir saudade da vida anterior são respostas esperadas à matrescence. O problema surge quando esse processo não encontra nomeação, apoio ou elaboração, e começa a gerar sofrimento persistente.

Quando buscar psicoterapia para questões de identidade na maternidade?

Vale buscar psicoterapia quando a sensação de não se reconhecer persiste por semanas, quando a culpa é constante, quando o luto da identidade anterior interfere nas relações e no autocuidado, ou quando a mulher percebe que está funcionando no “modo sobrevivência” sem acesso a si mesma.

Como a ACT ajuda na crise de identidade da maternidade?

A ACT ajuda por meio da aceitação do luto e da ambivalência, da defusão de pensamentos de culpa e fracasso, da clarificação de valores pessoais além da maternidade e da construção de ações comprometidas com esses valores — mesmo dentro da rotina intensa do puerpério.

Brasileiras no exterior podem fazer psicoterapia online para questões de identidade materna?

Sim. A psicoterapia online em português é especialmente relevante para brasileiras no exterior que vivem a matrescence longe da família, em outro idioma e cultura. Ter um espaço terapêutico com profissionais que compreendem o contexto cultural brasileiro pode fazer diferença significativa no processo de elaboração identitária.

Próximos passos possíveis

➡️ Agende sua psicoterapia perinatal online ou presencial no Espaço Elleve

➡️ Saiba mais sobre psicoterapia perinatal online no Elleve

Conclusão: você não está se perdendo — está se tornando

A sensação de não se reconhecer na maternidade não é sinal de que algo está errado com você. É o sinal de uma transformação profunda e real que a cultura raramente nomeia com cuidado. Quando essa transformação encontra um espaço seguro de elaboração — com escuta, ferramentas clínicas e sem julgamento — ela pode se transformar em integração: a mulher que você era e a mãe que está se tornando passam a coexistir com mais paz.

No Espaço Elleve, a psicoterapia perinatal online com TCC, Terapia Comportamental e ACT oferece esse espaço para mulheres no Brasil e brasileiras no exterior. Para entender como esse cuidado funciona na prática, leia psicoterapia perinatal onlinepsicoterapia online funciona? e terapia online para brasileiros no exterior. Você não precisa integrar essa transformação sozinha.

Referências

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